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Quarta-feira, 10 de março de 2010
>> Treinamento > Marchando com qualidade


Vou iniciar falando da marcha dos cavalos e das mulas, muito apreciada para as cavalgadas. A marcha existe entre o trote e a andadura. Os limites das marcha diagonal (batida) cômoda, regular e avante são, de um lado, com a marcha trotada típica dos animais mangalarga e, do outro, com a marcha lateralizada (picada) . Na marcha como na comida não desejamos algo "muito salgado" e nem "muito doce.

A marcha muito diagonalizada, vizinha da marcha trotada, é mais áspera no atrito vertical e pode ser considerada como uma comida salgada. A outra marcha muito lateralizada e próxima da andadura pode ser considerada como uma comida muito doce.

Até há pouco tempo as discussões em torno do andamento ideal varavam noites inteiras, sem possibilitar nenhuma conclusão, pois careciam de fundamentos científicos. A determinação dos limites desejáveis se tornou possível a partir do momento em que foi possível medir "com precisão", durante a locomoção, os momentos de apoio e os momentos de suspensão dos cascos dos eqüídeos. A relação entre o tempo que os cascos ficam no chão e o tempo que os mesmos estão voando (em suspensão) é chamado de "DIAPASÃO". Quando esta relação é menor do que 1 o andamento é saltado como o trote e quando a relação é maior do que 1 o andamento é chamado de marcha. Muito fácil.

No trote o tempo de apoio dos quatro cascos é sempre menor do que o tempo de suspensão dos mesmos durante a passada completa. Isto aumenta o movimento vertical que tende a "socar" o cavaleiro contra a sela. Além disto o trote é um movimento onde predominam os apoios diagonais.

Na marcha o tempo de apoio é maior do que o tempo de suspensão. Esta é a primeira razão da comodidade da marcha, mas não é a única. É preciso conhecer a proporção entre o tempo de apoio dos cascos diagonais, ou seja , mão direita e pé esquerdo ou mão esquerda e pé direito e o tempo de apoio em lateral mão e pé do mesmo lado).

A marcha diagonal (batida) tem o tempo de apoios em diagonal maior do que o tempo de apoios em lateral. A marcha lateralizada (picada) tem o tempo de apoios em lateral maior do que o tempo de apoios em diagonal. A relação entre os momentos de apoio em lateral e os momentos de apoio em diagonal foi denominada "Coeficiente de Lateralização" (CL) que é o parâmetro da biomecânica que permite separar os diversos andamentos do cavalo.

Alguns poucos animais têm o tempo de apoio diagonal equivalente ao tempo de apoio lateral (CL =1). Este andamento é um marcha de centro, muito cômoda, mas, infelizmente, é pouco encontrada.
Existem cavalos que conseguem um andamento onde os tempos de apoio e de suspensão dos cascos, durante a passada, são equivalentes e têm o Diapasão igual a 1. Este andamento é chamado de marcha trotada, característica dos cavalos da raça mangalarga (vulgo paulista).

Uma marcha equilibrada e completa de um animal verdadeiramente marchador tem oito apoios dos cascos, durante a passada completa, ou seja:

Quatro apoios tripedais, onde temos dois cascos posteriores e um anterior em apoio ou dois anteriores e um posterior em apoio. Estas combinações podem ser no máximo quatro (dois tripedais de posteriores e dois de anteriores).
Dois apoios diagonais que podem ser esquerdo e direito
Dois apoios laterais (esquerdo e direito).

Uma marcha completa tem sempre oito apoios. A seqüência dos apoios obedece sempre uma ordem dada pela mecânica da locomoção, ou seja: tripedal com posteriores e anterior esquerdo é sempre seguido de apoio diagonal esquerdo. Tripedal de posteriores e anterior direito é sempre seguido de diagonal direito. Da mesma forma, tripedal de anteriores e posterior esquerdo é sempre seguido de lateral esquerdo e tripedal de anteriores e posterior direito é sempre seguido de lateral direito. Isso se o animal tiver uma marcha completa. Acontece que nem todos os animais marchadores possuem uma marcha completa de oito apoios. E daí vêm as inúmeras variações da marcha.

Outro complicativo é que uma marcha completa não deve ter apoios indesejáveis, que são os apoios monopedais (quando um só casco fica em contato com chão durante a passada) ou os apoios bipedais de mão ou de pé , apoios quadrupedais e, ainda, a ausência de apoios ou suspensão que caracteriza o trote.

Para entender a comodidade de uma marcha completa de alta qualidade, vamos imaginar um cavalo parado. Não existem atritos nos planos vertical (sobe e desce), médio-lateral (para um lado e para o outro) e atrito ântero-posterior (para frente e para trás). Em resumo: todo cavalo parado é muito cômodo. Quando o corpo do animal e o centro de gravidade movimentam é que aparecem os deslocamentos nos diversos planos.

Tudo ficou muito fácil quando conseguimos medir o tempo de apoio e suspensão dos cascos durante a passada, denominado "timing", que possibilitou conhecer o Diapasão, a seqüência e a coordenação dos apoios, o Balanceamento médio-lateral, a Assimetria, o Coeficiente Lateral (CL), a Velocidade do corpo e o Comprimento da passada. Estes parâmetros fazem parte do DIAGRAMA DE ANDAMENTO (GAIT SPECTRUM) e do HANDICAP ou FATOR DE QUALIDADE DA MARCHA. O aparelho que mede tudo isto, sem contato com o corpo do animal, chama-se Analoc-E (Analisador de Locomoção para Eqüídeos).

O Analoc-E usa um processo de vídeo em alta velocidade, 6 vezes mais rápido do que o vídeo comum, processamento da imagem em micro PC e reprodução do Diagrama de Andamento, em impressora comum. Com ele foi possível estabelecer o fator de mérito de cada marcha, chamado inicialmente de Handicap e classificar cada animal analisado em uma Ranking, criado automaticamente pelo programa do computador.

Já temos o maior banco de dados de andamentos, com mais de 800 animais analisados e conseguimos criar, no Brasil, muitos novos termos zootécnicos para a biomecânica da locomoção. Ah! Mas se o seu eqüídeo for de trote o Analoc-E analisa também.
Se você quer saber mais sobre os andamentos leia o livro "Tecnologia Não-Invasiva para a Análise da Locomoção dos Eqüídeos" e veja o vídeo "Locomoção e Análise de Andamentos".

A . P .Toledo é criador de cavalos desde 1972, autor dos livros Mecânica de Sustentação e Locomoção dos Eqüínos e Tecnologia Não-Invasiva para a Análise da Locomoção dos Eqüídeos. É engenheiro, veterinary assistant (USA), Diretor do Centran Toledo e Coordenador do projeto do Analoc-E.

Cursos Mensais: (12) 3922 4921
Email: toledohorse@toledohorse.com.br
Visite nossa página : www. toledohorse.com.br

 

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