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Terça-feira, 18 de novembro de 2008
>> Treinamento > Esbarro


Resumo: Este artigo tem por finalidade demonstrar quais são os fatores que contribuem para que a manobra do esbarro tenham mais qualidade resultando em uma nota maior.

Introdução

O esbarro é uma das manobras mais bonitas e emocionantes de se ver. Significa diminuir a velocidade do cavalo, do galope para a posição da parada, trazendo os posteriores embaixo do corpo do cavalo, numa posição fixa e deslizando com ambas as patas traseiras numa linha reta, sem variação da garupa., mantendo uma movimentação para frente e seus anteriores trocando contato com o solo.
É um movimento natural do cavalo, em liberdade todos esbarram. Quando montados por questão de equilíbrio, demoram um pouco até se adaptarem, mas, com treinamento, ferrados apropriadamente e uma boa pista, conseguimos belos esbarros.

Técnica

Se alguém perguntar qual o cavalo ideal para esbarrar, devo responder que, o esbarro não depende da raça do cavalo. Está mais associado com a conformação. É também lógico que um cavalo de tração ou de tiro, não terá um esbarro com a mesma qualidade de um crioulo ou um Quarto de Milha. Um cavalo com aprumos de posteriores corretos, jarretes retos podendo ser até um pouco para baixo. Na conformação dos anteriores, as paletas com pouca inclinação ou pé, são indesejáveis. Os cascos, serão um assunto que discutiremos com mais profundidade.

Os cascos são a base de sustentação dos membros dos cavalos, suportando todo o peso de seu corpo. Em uma manobra de esbarro este peso é aumentado em muitas vezes. Portanto sem uma angulação correta, equilibrada entre a angulação da paleta, jarrete e do casco, o desempenho do esbarro estará comprometido. Outro detalhe importante é a ferradura, que deve ser apropriada para o esbarro.

As ferraduras traseiras devem ter “traillers” mais longos, ou seja, suas barras no talão são maiores, o que possibilita o cavalo manter seus posteriores nivelados ao chão. Em geral a ferradura de esbarro de um potro de dois anos, é de 1¼” x 1”, a ferradura definitiva para animais que já estão sob treinamento intenso deve ter 1 ¼” na frente com ¾” no talão, a espessura de ambas é de ¼”.

É necessário um a adaptação no caso de potros que estão usando pelas primeiras vezes. Com o tempo as ferraduras vão gastando e ficando mais rápidas, assim ele vai perdendo o medo e adquirindo equilíbrio. Para um correto ferrageamento, equilibrado, aprumos com angulações certas, procure um profissional qualificado com alguma indicação, pois existem no mercado pessoas que se dizem profissionais, e podem acabar predispondo seu cavalo a uma lesão tendínea séria.

"No foot, no horse", SEM CASCOS, NÃO HÁ CAVALO" -, para lembrar que não se faz um campeão sem uma boa base de sustentação.

Outro fator fundamental para o treinamento e qualidade do esbarro é a pista. Não que o cavalo só esbarre com uma pista coberta, areia, do tipo final do “Potro do Futuro”. Em uma lida campeira para apartar uma rês, o cavalo esbarra diversas vezes tanto no campo como na mangueira.

Acredito que, para treinamento, deve-se ter uma pista que simule diversas condições parecidas com a real, isto para que o cavalo se acostume a esbarrar em pisos não tão apropriados.

A pista ideal, segundo os especialistas, deve ser plana, compactada embaixo e com aproximadamente 5cm de areia por cima. Uma pista pesada, com muita areia não possibilitará o deslizar do esbarro, vai exigir um esforço maior dos posteriores. o que o fará sair da posição. Persistindo levará o cavalo a procurar uma defesa, reagindo negativamente toda vez que for solicitado à esbarrar.

Quanto à técnica propriamente dita, devemos começar com exercícios ao passo e seguir avançando gradativamente com o desempenho do cavalo. Quando ele tiver bem flexionado de nuca e posteriores, um bom controle de velocidade galopando em linha reta e alinhado, estará pronto para esbarrar.

O cavaleiro deve fazer sua parte, sentar fundo na sela, sem exercer pressão com as pernas, tirar a folga das rédeas em um ritmo definido. Quanto mais rápido for o galope, mais devagar se deve tirar a folga das rédeas, isto sempre com o cavalo galopando em perfeita linha reta e com sua espinha dorsal alinhada

Quando o cavalo está com sua boca suave, cedendo a nuca e seu corpo alinhado durante os três andamentos (passo, trote e galope), e respondendo com precisão, começamos a testar as paradas com as rédeas praticamente soltas. No inicio dificilmente ele faz correto, então usamos do recuo de alguns passos e repetimos a manobra. Devemos mesclar outros exercícios durante o treinamento, para evitar que o cavalo antecipe os comandos. Se a parada não for perfeita, espero até que ele a termine e corrijo o que estava errado, para em seguida tentar novamente. Se conseguir atingir um resultado satisfatório, permaneço parado por alguns minutos afim de recompensá-lo.

Treinadores experientes dizem que para o cavalo aprender um esbarro perfeito, levará normalmente 12 meses.

Conclusões
Fica claro que, além de todos os aspectos aqui relacionados, tem um de maior relevância. O profissional qualificado.
Os esportes eqüestres estão mais popularizados. A profissionalização da Rédea é uma realidade. Nestes sentidos, os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, estão andando em passos largos à nossa frente.
Com formação contínua de Hipologistas, espera-se que, também possamos avançar rumo à profissionalização.

(Palavras-chave: equitação, rédeas,esbarro).

ESBARRO - Giovanni Bruel Maurer.
Curso de Ciências Eqüinas - Pontifícia Universidade Católica do Paraná


Referências
[1] BECK, SERGIO LIMA. Eqüinos: raças, manejo, equitação. 1ª ed. São Paulo – SP. Editora dos Criadores Ltda. 1985.
[2] MENDES, CAITO. Treinamento de Rédeas. São Paulo – SP.In: Editora Três Ltda. 1992.
[3] ANCR REGRAS. Disponível em:<htpp://www.ancr.org.br> Acesso em: 04-06-2004.
[4] BECK, S. L. Esbarro e Esbarro. Cavalo Mangalarga. São Paulo-SP, v. 12, p. 44-45. 1985.

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