Transferência de Embriões:
Técnica já masterizada por várias
centrais de reprodução nacionais e utilizada
em vários haras maiores com boa infraestrutura
de reprodução. Permite o aproveitamento
de éguas que continuam a sua campanha desportiva
na reprodução, a utilização
de éguas expoentes que não podem mais
gestar por diferentes razões - desde problemas
de fertilidade até idade avançada; e
ainda a produção de vários produtos
por ano de éguas importantes caso a Associação
permita. Alguns criadores reduziram seu plantel à
2 ou 3 éguas expoentes e trabalham tirando
vários produtos por ano destas éguas
ou mesmo negociando seus embriões. As desvantagens
são os altos custos da técnica e a baixa
taxa de prenhez das receptoras no eqüino. Em
geral para cada égua doadora tem que se trabalhar
com duas ou três éguas receptoras que
devem ser de tamanho compatível e ótima
fertilidade. Essas receptoras muitas vezes são
alugadas pelas centrais de reprodução
pelo ano de gestação e devolvidas após
o desmame do potro.
Qual
é o histórico geral de minha égua?
O histórico veterinário de sua égua
pode ser muito importante para decisão de cobertura
porque alguns problemas podem atrapalhar a sua fertilidade,
tais como hipotireoidismo, doenças hepáticas,
aguamento, claudicações importantes,
excesso de medicações durante carreira
desportiva, etc. A dor é um componente importante
causador de reabsorção embrionária
no início da prenhez.
Qual
é o histórico reprodutivo de minha égua?
Perguntas importantes que o veterinário lhe
fará antes de considerar a cobertura de sua
égua:
Quando
nasceu o último potro da égua?
Houve
alguma complicação pós-parto?
(partos demorados ou problemáticos, lacerações,
retenção de placenta, problemas com
o potro, gêmeos). A gestação normal
da égua é em média de 11 meses.
Qualquer desvio de mais de 18 dias deste tempo médio
deve ser comunicado ao veterinário.
Sua
égua cicla normalmente? O ciclo normal da égua
na Primavera-Verão é de 21 dias com
um período de cio que varia de 4 a 6 dias.
Esse ciclo pode ser modificado pela ação
de medicamentos hormonais para mais ou para menos
de acordo com o interesse do criador em cobrir mais
cedo ou em sincronizar éguas para inseminação
ou transferência de embriões.
Sua
égua tem algum histórico de problemas
reprodutivos? Foi coberta várias vezes e não
emprenhou? Reabsorveu após confirmação
de prenhes? Aborto? Natimortos? Potros fracos?
Tudo
isso tem grande efeito nos custos e na probabilidade
de produção de um potro sadio no próximo
ano. Cada caso deve ser muito bem estudado.
Qual
é a taxa de fertilidade presumida de minha
égua?
Éguas
jovens, sem potro ao pé e com menos de 6 anos
de idade tem a maior taxa de fertilidade.
Éguas
paridas, lactentes e éguas jovens que já
criaram, mas que por alguma razão ficaram vazias
no ano anterior requerem atenção especial.
As duas primeiras necessitam excelente acompanhamento
nutricional para permitir que entrem no cio regularmente,
sejam cobertas e possam manter a nova gestação
com o potro mamando, e as terceiras provavelmente
tem algum problema reprodutivo que requer um exame
veterinário mais acurado e possível
tratamento antes de se tentar nova cobertura.
Éguas
de cria velhas - acima de 14 anos, éguas virgens
com mais de 9 anos de idade têm sua taxa de
fertilidade bastante reduzida.
A
escolha do garanhão
Lembre-se que a égua entra com pelo menos 55%
da genética de seu produto. Assim de nada adianta
escolher o melhor garanhão do mundo e coloca-lo
em uma égua medíocre esperando obter
um animal da categoria do pai. O que você realmente
conseguirá será um animal com menos
da metade das características do pai que pode
não valer nem o preço da cobertura...
O ideal é escolher um garanhão de qualidade,
com características que reconhecidamente sejam
melhoradoras para os pontos fracos específicos
da sua égua e cujo preço da cobertura
não exceda 30% do preço de mercado de
um produto médio do garanhão.
Eu
posso arcar com os custos dessa cobertura?
O fator do custo da cobertura, do tipo e manejo reprodutivo
utilizado, controles e tratamentos veterinários,
transportes, estadias, etc deve ser bem pesado antes
do proprietário se decidir pela cobertura de
sua égua. A reprodução eqüina
pode se tornar bastante custosa principalmente se
não é produzido um potro vivo ao final
de tudo.
O
criador deve levar em conta que a égua pode
não emprenhar na primeira tentativa, a égua
pode reabsorver no período crítico dos
45 dias iniciais de gestação, e vários
outros problemas podem ocorrer durante o longo período
gestacional da égua. Sua única garantia,
no caso de um trabalho bem feito, é de que
seu veterinário e um bom gerente farão
o possível para assegurar as máximas
chances de concepção e manutenção
da gestação de sua égua. Não
importando o resultado final, proprietários
bem informados sempre têm um nível de
satisfação maior, tanto financeiro como
logístico, com a nem sempre fácil reprodução
eqüina.
Dra.
Adriana Busato é Médica Veterinária,
Professora Adjunta de Equídeocultura na PUC-PR,
inspetora da ABCCH e proprietária do HARAS
FB onde cria BH e Hanoverianos.
Apresenta e compete com seus animais em Salto em Circuito
Nacional Amador.
Fone: (041) 352-4628 e-mail: haras_fb@harasfb.com.br
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