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Já com algum tempo de experiência como
veterinária posso dizer com absoluta certeza:
90% dos cavalos estabulados morrem de duas causas: cólicas
e acidentes. Englobando os outros 10% estão todas
as outras causas possíveis, inclusive raio na
cabeça! Dentro desses 90%, 60% são acidentes
e o resto é cólica, que não deixa
de ser outro tipo de erro de manejo. Então, a
maior possibilidade de perda de animais é por
acidente? Sim, com certeza. E ai você se pergunta:
mas como, se eu dou do bom e do melhor para o meu cavalo?
A
partir do momento em que retiramos um animal de presa
e fuga como o cavalo de seu habitat natural e o colocamos
entre 4 paredes ou entre cercas, estamos fadados a ter
todo tipo de acidentes por tentar mudar a natureza do
animal. Lembre-se de que o que você considera
bom para seu cavalo e para você podem não
ter a mesma interpretação pelo próprio
cavalo, e que cavalos jovens são mais espirituosos
e assustados, sendo portanto muito mais propensos a
causarem acidentes.
Já
que não temos como fugir da situação
de estabulagem nas grandes cidades, vamos tentar evitar
ao máximo a ocorrência dos problemas mais
comuns. Basta um pouquinho de bom senso, ordem e atenção.
Vigilância
Constante
Ao
entrar na ala de cocheiras, observe se tudo está
no lugar, se não há nada ocluindo as passagens
dos corredores ou coisas jogadas pelo chão que
possam ser pisadas ou enroscadas nos pés dos
cavalos. É apenas uma questão de prática
de observação, que pode salvar um cavalo
que escape de uma baia e saia em disparada pelo corredor.
Esteja
Preparado
Às
vezes, mesmo com todos os cuidados, acidentes acontecem
e essa não é a melhor hora para tentar
descobrir, em pleno Domingo à noite, o telefone
do amigo do primo do dono do caminhão de transporte.
Se organize. Tenha com você e à mão
da pessoa que está cuidando de seus animais telefones
de pelo menos 3 veterinários de sua confiança,
de vários donos de caminhão de transporte
e de farmácias 24 horas da região. Mantenha
um kit de primeiros socorros em local que os atendentes
tenham acesso.
Um
passeio pela cocheira visando segurança
Entrada:
se seu bloco de cocheiras possui portão de entrada,
preste atenção se os vasos decorativos
não bloqueiam a passagem e se não estão
plantadas nele espécies tóxicas. (Muitas
flores ornamentais comuns são bastante tóxicas
para cavalos, como azaléia, lírios, bico
de papagaio, lantana, samambaias e alguns tipos de cedros)
Os portões devem ser bem largos e altos suficientes
para que você possa passar montado no cavalo.
Corredores:
em locais com corredores internos, estes devem ser altos
o suficiente para que mesmo um cavalo empinando não
atinja nada, os pisos não devem ser de material
escorregadio e devem prover tração para
os cascos mesmo molhados. Se o piso for escorregadio,
jamais passe montado no cavalo por essa área.
As paredes ao longo dos corredores devem estar livres,
sem itens protundindo para o corredor como caixas de
material, carrinhos de sepilho e esterco, cavaletes
de selas, ganchos de material. Separe um espaço
fora do caminho para serem guardados garfos de esterco,
vassouras, peneiras e baldes. Capas, ligas e cabos devem
ser pendurados ou guardados assim que retirados dos
cavalos, uma vez que no chão podem se enroscar
facilmente nos cascos dos cavalos. As lâmpadas
devem ser fixadas altas o suficiente para não
serem alcançadas.
Argolas:
amarrar um cavalo também tem seus riscos. Algumas
pessoas gostam de usar cabos elásticos
que esticam, entretanto, esse tipo de cabo quando finalmente
arrebenta pode acertar o olho do cavalo violentamente.
Os cabos mais indicados são os de corda naval
com mosquetões de pânico ou com nós
do tipo "puxou-soltou" que permitem livrar
rapidamente um cavalo em pânico.
Boxes:
as portas têm de ser largas e altas o suficiente
para um cavalo passar através delas com segurança.
Quinas agudas devem ser evitadas a todo custo. Uma pancada
na anca ao sair da baia pode ocasionar um afundamento
ou fratura, portanto quando colocar e tirar um cavalo
da baia, lembre-se de guiá-lo em linha reta até
que todo o seu corpo tenha passado pela porta.
A drenagem do piso deve ser eficiente e a cama utilizada
deve ser de qualidade e revisada diariamente para evitar
problemas nos cascos e pneumonias. Os novos pisos emborrachados
são extremamente eficientes, apesar de caros.
Entre na baia e feche a porta. Observe se existe algum
espaço que potencialmente possa prender a pata
de seu cavalo entre a porta e o piso ou entre o protetor
que é colocado na saída da baia para que
a cama não saia para fora. É muito comum
que durante a noite os cavalos deitem, rolem e prendam
uma pata nestes espaços. Em baias de madeira,
observe se o espaço entre as ripas permite que
uma pata possa passar entre elas. Um dos maiores causadores
de problemas são os ganchos e travas que prendem
as portas superiores abertas. Muitas vezes os cavalos
conseguem a façanha de prenderem o cabresto nesses
ganchos e acabam se enforcando. Use travas "fracas"
que quebrem facilmente se forçadas ou sistemas
que prendam a porta por trás dela.
Mangedouras
e baldes: hoje em dia totalmente contra-indicadas por
duas razões: primeira que o cavalo foi feito
para pastar ao nível do solo, alongando a musculatura
de seu pescoço. Uma mangedoura alta cheia de
feno vai contra a maneira natural do animal se alimentar.
Segundo,
que quando o cavalo morde e puxa o feno, é liberada
uma grande quantidade de poeira nos olhos e narinas
do animal, levando a problemas potenciais. Sirva o feno
no chão ou em sacolas próprias amarradas
baixas. Baldes devem ser utilizados presos na parede,
em altura que não permita que o cavalo ponha
uma pata dentro dele.
Duchas:
quase todos os cuidados acima se aplicam às duchas,
com o agravante de que o piso estará molhado.
Potes, xampus, rasqueadeiras, etc. jamais devem ficar
no chão onde o cavalo possa pisar e se assustar.
Cuidado extra deve ser tomado com as mangueiras, que
podem se enrolar na pata de um cavalo mais nervoso dentro
da ducha.
Piquetes:
observação diária das cercas por
um responsável é imprescindível
em um haras. Fios de arame soltos e ripas quebradas
podem inutilizar um animal. Retire galhos caídos
e raízes altas de dentro do piquete. Cavalos
se machucam nos locais mais improváveis. Cuidado
com comedouros de fibra, que se quebram facilmente em
lascas cortantes. Retire sacos plásticos ou de
ração dos piquetes. Estes por vezes são
carregados pelo vento e podem ser ingeridos por potros
curiosos.
Limpeza
conta: quanto
mais limpo, melhor. Pouco lixo envolta das cocheiras
significa poucos causadores potenciais de acidentes
e menos coisas em seu caminho quando eles acontecerem.
Um simples papel no chão pode voar na cara ou
entre as patas de um cavalo, levando-o ao pânico.
Cultive bons hábitos de trabalho. Guarde todo
o equipamento - de cabrestos e capas até garfos
de esterco - em seus lugares assim que terminar de utiliza-los.
O
medo de um possível acidente não é
necessariamente seu inimigo. Uma dose saudável
de imaginação combinada com um toque de
antecipação melhorará seu manejo
com os animais e irá ajudá-lo a prevenir
acidentes.
Dra.
Adriana Busato é: Médica Veterinária
formada pela UFPr;Mestrado e Pós Graduação
em Clínica Cirúrgica UFPR;Especialização
em Reprodução Equina c/ Prof. Dr. Romildo
Weiss UFPR;Professora Adjunta de Equídeocultura,
Fisiologia Animal,Fisiologia Equina, Etmologia e Evolução
Equinas, Desportes Equestres, Conformação
e Julgamento do Equino do Setor Ciências Agrárias
PUC-PR;Diretora Adjunta do Curso Superior Seqüencial
de Ciências Eqüinas da PUC-PR;Inspetora e
Diretora do Núcleo do Paraná da ABCCH;Juíza
Nacional da ABCCH;Veterinária Oficial da CBH;Amazona
amadora reconhecida, com títulos em âmbito
Estadual e Nacional em Salto e Adestramento;Apresentadora
de programas sobre o Brasileiro de Hipismo no Canal
Rural;Profere palestras sobre manejo e criação
em vários estabelecimentos de Ensino, Associações
de Criadores, Regimentos Eqüestres do Exército
e Clubes Hípicos;Escreve artigos sobre criação,
reprodução e manejo para várias
publicações nacionais especializadas em
equinos como: Revista Horse, Notícias a Galope
e Placê. Dá auxílio técnico
na importação de sêmen e escolha
de linhagens para vários Haras Nacionais de Brasileiro
Hipismo.
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