| Alimento
perfeito ou equilíbrio perfeito entre alimentos?
O que se deve buscar para a dieta do cavalo?
Alimento perfeito não existe, mas equilíbrio
perfeito de alimentos é o que se deve almejar
para um melhor resultado na criação ou
performance dos cavalos.
Muito se tem falado a respeito do uso da linhaça
na alimentação dos eqüinos.
Como a maioria dos grãos, a linhaça é
um ótimo complemento a ser utilizado na alimentação
do cavalo, desde que seu uso se justifique e seja feito
com critério e avaliação cuidadosa
das necessidades reais do animal.
A linhaça pode ser utilizada de três formas:
grão integral, farinha e óleo.
O grão integral é tradicionalmente utilizado
em pequenas quantidades, 20 a 50 g diários ou
mesmo duas vezes por semana, com o intuito de se prevenir
cólica.
Cerca de 95% das cólicas são ocasionadas
por um erro de manejo. Isso quer dizer que, adequando-se
o manejo às reais necessidades do cavalo, ele
dificilmente terá cólica (chance de 5%).
Portanto, administrar um “preventivo” para
cólicas na dieta diária, somente se justifica
se o manejo estiver errado. E manejo errado, não
se justifica.
Além disso, esta linhaça em grão
somente tem uma ação efetiva se administrada
umedecida, pois a casca do grão é extremamente
dura, dificultando sua ação laxativa.
O problema está em que quando se umedece o grão
de linhaça este libera ácido prússico
(cianídrico) que é altamente tóxico
para o cavalo se administrado em quantidades elevadas.
O ácido prússico impede a absorção
de oxigênio pelo organismo, levando à morte
súbita.
Já a linhaça oferecida sob a forma de
farinha ou óleo pode trazer alguns benefícios
bastante interessantes ao animal, desde que obedecidas
às recomendações iniciais.
A linhaça é um alimento muito rico em
ômega 3, um ácido graxo essencial que,
juntamente com o ômega 6, é responsável
por uma série de respostas do organismo a agressões.
Um equilíbrio entre os ácidos graxos ômega
3 (ácido alfa-linolênico, ácido
eicosapentanóico e ácido docosahaxanóico,
de baixo potencial inflamatório) e dos ácidos
graxos ômega 6 (ácido linolêico e
ácido aracdônico, de alto potencial inflamatório)
leva a uma resposta equilibrada do organismo, trazendo
benefícios como:
Abrandamento de reações inflamatórias
e alérgicas indesejáveis, melhorando a
resposta imunológica.
Para
potros em crescimento funciona como auxiliar no desenvolvimento
neurológico.
Para
éguas em gestação auxilia no desenvolvimento
fetal e na lactação, aumentando a quantidade
do leite.
Observamos
ainda restabelecimento do brilho e da cor da pelagem,
bem como a saúde da pele.
Em
cavalos de esporte e trabalho aumenta a energia disponível,
levando a uma recuperação muscular mais
rápida após exercícios.
Promove
ainda prevenção de distúrbios circulatórios
e cardiovasculares além de ser excelente auxiliar
no tratamento de laminites, artrites e artroses e miopatias.
A maioria dos grãos presentes
na dieta tradicional do cavalo são muito ricos
em ômega 6, propiciando um desequilíbrio
na relação ômega 3/ômega 6.
Este desequilíbrio pode ser atenuado através
da administração criteriosa e equilibrada
da linhaça sob a forma de farinha ou óleo
na dieta do animal.
A quantidade de farinha de linhaça a ser administrada,
sempre como complemento à dieta diária,
pode variar de 100 g a 400 g para cavalos saudáveis,
podendo chegar a até 700 g diários para
animais debilitados.
O óleo de linhaça deve ser prensado a
frio, pois o refinado volatiliza os ácidos graxos,
perdendo o benefício a que se propõe com
seu uso.
Mas a linhaça não é somente fonte
de ômega 3 e 6. É um alimento rico em energia,
rico em proteína (a farinha chega a 35% de proteína
bruta), e como toda matéria prima, não
é equilibrada em vitaminas e minerais. Portanto,
seu uso de forma indiscriminada e abusiva, ou mesmo
como alimento único é mais prejudicial
que benéfico ao animal.
Excesso de energia na dieta causa timpanismo, diarréias,
queda do tônus digestivo levando a contrações
e possíveis cólicas, dilatação
do ceco, degeneração cardíaca,
hepática e renal, dismicrobismo e laminite.
Excesso de proteína na dieta causa uma série
de distúrbios como enterotoxemia, problemas hepáticos,
emagrecimento, problemas renais, má recuperação
após o esforço, problemas de fertilidade
em garanhões, transpiração excessiva,
cólicas, timpanismo e dismicrobismo.
O desequilíbrio vitamínico mineral leva
a distúrbios de absorção de nutrientes
além de poder proporcionar doenças carenciais
ou por excesso de um ou outro nutriente, com conseqüências
desagradáveis a médio prazo.
Portanto, visto que, apesar dos benefícios reais
de seu uso, a linhaça também pode proporcionar
problemas quando de seu uso incorreto, devemos pensar
seriamente em quando e como utilizá-la.
Uma dieta correta, onde se privilegia o volumoso de
boa qualidade (feno ou pastagem de gramíneas),
com água fresca e limpa e sal mineral específico
para cavalos à vontade, complementados com concentrado
equilibrado e de origem idônea, pode ainda, se
necessário, ser suplementada com a farinha de
linhaça se assim o animal o exigir.
Mas jamais como concentrado único, pois ela por
si só, não é equilibrada.
Acima de tudo, não prejudique o animal.
Dr.
André Galvão Cintra
Médico Veterinário
Consultoria em Nutrição Eqüina
Professor FAJ e FATU
e-mail: andre@cavalo-bretao.com.br
Visite
o site www.cavalo-bretao.com.br
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