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Esse
problema tão conhecido de quem lida com cavalos,
têm inúmeros nomes ao redor do Brasil.
Pode ser chamado de dermatite, casquinha, carepa, etc.
e atinge cavalos de clube e de fazenda.
Normalmente, a primeira pista para o dono ou tratador
de um cavalo que possa estar sofrendo desse problema,
é a observação de casquinhas de
ferida ressecadas, esbranquiçadas e farinhentas
com ou sem pequenas lesões abaixo destas entre
os boletos e os talões das patas de seu cavalo.
Geralmente as patas traseiras são mais atingidas.
Quase sempre são as duas patas. Patas com marcações
brancas parecem ser mais atingidas, mas a realidade
é que a pele rosa sob essas patas deixa a visualização
do problema mais nítida, o que não é
tão fácil de perceber no membro escuro.
Nos estágios iniciais da Dermatite, geralmente
não ocorre manqueira ou dor. Conforme o problema
progride, as lesões se abrem ,sangram, incham
e as vezes o cavalo pode começar a sentir. A
dor é mais proeminente depois de um período
de repouso de 1-2 dias na cocheira, onde o cavalo sente
dor quando começa a flexionar o boleto, pelo
rompimento das cascas das feridas.
Nos casos mais graves, o problema pode se fixar na
área da coroa do casco e sangrar bastante. Nesse
caso o cavalo sente muita dor e não consegue
caminhar.
Esse
tipo de dermatite envolve os seguintes fatores:
1) O amolecimento da pele, em função
de o cavalo estar em ambiente muito úmido ou
enlameado. Nas Hípicas ocorre quando o tratador
não espera os membros dos cavalos secarem completamente
para coloca-los nas baias ou quando a cama fica muito
tempo sem ser trocada, com a urina umedecendo a serragem.
2) O ácaro invasor. Neste caso um ácaro
corióptico - que mede 0,3 a 0,5 mm. Tais ácaros
se alimentam de debris da pele, e nesse processo causam
irritação na pele da área. O ciclo
destes ácaros dura em média 15 dias. Esses
ácaros não são sugadores de sangue
e vivem sobre a pele, envolta dos folículos pilosos.
3) Umidade e Temperatura. As populações
de ácaros são muito maiores durante o
clima úmido e frio.
4) Infecção Oportunista Secundária
pela bactéria Estafilococos. É esta infecção
que causa o "esfarelamento" da pele e que
produz o cheiro adocicado característico dessas
lesões. Outro fator de diagnóstico é
quando você puxa uma dessas cascas e junto com
ela vem pelos do animal.
5) Infecção concomitante por fungos. O
fungo é intradermal - vive dentro da pele.
Após a pele ter sido invadida por agentes bacterianos
e fúngicos, a inflamação vem a
seguir. A inflamação é a resposta
da pele do cavalo à agressão. Essa inflamação
causa mais irritação ainda.
Tratamento:
1) O primeiro passo no tratamento é a mudança
de ambiente. Lutar contra o ambiente de umidade é
obrigatório. Caso contrário nada funcionará.
O animal precisa ficar em ambiente limpo e seco. Cuidado
com cama de capim, uma vez que normalmente o capim seco
possui grande carga de esporos de fungos, o que acarretaria
nova infecção. O ideal é o sepilho,
que não fica tão úmido quanto a
serragem em pó. Jamais guardar o cavalo úmido
na cocheira, depois da ducha.
2) Se possível tose a área - não
raspe com gilete - apenas corte o pelo o mais baixo
possível com tesourinha ou tosquiadeira.
3) Lave a área com uma solução
de Povidine ou Clorexidine.
4) Faça a seguinte mistura e use no local:
¼
de óleo mineral (vedante)
¼
de Povidine ou Clorexidine (antifúngicos)
¼
de DMSO líquido (força a penetração
para dentro da pele)
¼
de Nitrofurazona líquida. (antibacteriano)
5) ensope vários quadrados de gaze nessa mistura,
aplique no local afetado e coloque uma liga não
muito apertada por cima.
Lidar com esse tipo de dermatite requer paciência
e dedicação. O problema não cede
com facilidade, mas o conhecimento da causa e do mecanismo
de ação do problema faz com que o tratador
e o proprietário tomem consciência dos
riscos e protejam melhor o seu cavalo da famosa "carepa".
Dra. Adriana
Busato é Médica Veterinária, Professora
Adjunta de Equídeocultura na PUC-PR, Juíza
da ABCCH e proprietária do HARAS FB onde cria
BH e Hanoverianos.
Apresenta e compete com seus animais em Salto em Circuito
Nacional Amador.
Fone: (41) 352-4628 e-mail: haras_fb@harasfb.com.br
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