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Quinta-feira, 11 de março de 2010
>> Colunistas > Dra. Adriana Busato > Casquinha ou Carepa


Esse problema tão conhecido de quem lida com cavalos, têm inúmeros nomes ao redor do Brasil. Pode ser chamado de dermatite, casquinha, carepa, etc. e atinge cavalos de clube e de fazenda.

Normalmente, a primeira pista para o dono ou tratador de um cavalo que possa estar sofrendo desse problema, é a observação de casquinhas de ferida ressecadas, esbranquiçadas e farinhentas com ou sem pequenas lesões abaixo destas entre os boletos e os talões das patas de seu cavalo. Geralmente as patas traseiras são mais atingidas. Quase sempre são as duas patas. Patas com marcações brancas parecem ser mais atingidas, mas a realidade é que a pele rosa sob essas patas deixa a visualização do problema mais nítida, o que não é tão fácil de perceber no membro escuro.

Nos estágios iniciais da Dermatite, geralmente não ocorre manqueira ou dor. Conforme o problema progride, as lesões se abrem ,sangram, incham e as vezes o cavalo pode começar a sentir. A dor é mais proeminente depois de um período de repouso de 1-2 dias na cocheira, onde o cavalo sente dor quando começa a flexionar o boleto, pelo rompimento das cascas das feridas.

Nos casos mais graves, o problema pode se fixar na área da coroa do casco e sangrar bastante. Nesse caso o cavalo sente muita dor e não consegue caminhar.

Esse tipo de dermatite envolve os seguintes fatores:

1) O amolecimento da pele, em função de o cavalo estar em ambiente muito úmido ou enlameado. Nas Hípicas ocorre quando o tratador não espera os membros dos cavalos secarem completamente para coloca-los nas baias ou quando a cama fica muito tempo sem ser trocada, com a urina umedecendo a serragem.
2) O ácaro invasor. Neste caso um ácaro corióptico - que mede 0,3 a 0,5 mm. Tais ácaros se alimentam de debris da pele, e nesse processo causam irritação na pele da área. O ciclo destes ácaros dura em média 15 dias. Esses ácaros não são sugadores de sangue e vivem sobre a pele, envolta dos folículos pilosos.
3) Umidade e Temperatura. As populações de ácaros são muito maiores durante o clima úmido e frio.
4) Infecção Oportunista Secundária pela bactéria Estafilococos. É esta infecção que causa o "esfarelamento" da pele e que produz o cheiro adocicado característico dessas lesões. Outro fator de diagnóstico é quando você puxa uma dessas cascas e junto com ela vem pelos do animal.
5) Infecção concomitante por fungos. O fungo é intradermal - vive dentro da pele.

Após a pele ter sido invadida por agentes bacterianos e fúngicos, a inflamação vem a seguir. A inflamação é a resposta da pele do cavalo à agressão. Essa inflamação causa mais irritação ainda.

Tratamento:

1) O primeiro passo no tratamento é a mudança de ambiente. Lutar contra o ambiente de umidade é obrigatório. Caso contrário nada funcionará. O animal precisa ficar em ambiente limpo e seco. Cuidado com cama de capim, uma vez que normalmente o capim seco possui grande carga de esporos de fungos, o que acarretaria nova infecção. O ideal é o sepilho, que não fica tão úmido quanto a serragem em pó. Jamais guardar o cavalo úmido na cocheira, depois da ducha.

2) Se possível tose a área - não raspe com gilete - apenas corte o pelo o mais baixo possível com tesourinha ou tosquiadeira.

3) Lave a área com uma solução de Povidine ou Clorexidine.

4) Faça a seguinte mistura e use no local:
¼ de óleo mineral (vedante)
¼ de Povidine ou Clorexidine (antifúngicos)
¼ de DMSO líquido (força a penetração para dentro da pele)
¼ de Nitrofurazona líquida. (antibacteriano)

5) ensope vários quadrados de gaze nessa mistura, aplique no local afetado e coloque uma liga não muito apertada por cima.

Lidar com esse tipo de dermatite requer paciência e dedicação. O problema não cede com facilidade, mas o conhecimento da causa e do mecanismo de ação do problema faz com que o tratador e o proprietário tomem consciência dos riscos e protejam melhor o seu cavalo da famosa "carepa".

Dra. Adriana Busato é Médica Veterinária, Professora Adjunta de Equídeocultura na PUC-PR, Juíza da ABCCH e proprietária do HARAS FB onde cria BH e Hanoverianos.
Apresenta e compete com seus animais em Salto em Circuito Nacional Amador.
Fone: (41) 352-4628 e-mail: haras_fb@harasfb.com.br

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